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Socialização, pandemia e saúde mental

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Estes últimos dias estava fazendo memória de tudo o que o ano de 2020 provocou nas minhas relações, em especial pelo impacto da COVID-19, pelos amigos e colegas que passam e marcam em algo; pensava em especial sobre como o paciente de transtorno mental deve ser resiliente.  Vocês que estão me acompanhando a muito tempo, aqui no blog, sabe de minha jornada. Muitos de vocês só não sabem como é a vida dos meus amigos do grupo de apoio, das páginas do Facebook e Instagram que acompanho e vejo o quanto estamos sofrendo.  Alguns dos meus colegas no combate ao estigma e preconceito da esquizofrenia, bipolaridade e outros transtornos, lutamos todo dia para superar a saída da cama, do quarto e ainda de casa. Imaginar que muitos deles estavam em processo de avanço pessoal, saindo de casa, felizes por estar conseguindo evoluir no seu quadro e enfrentando de frente seus medos. Em meio a todo o avança uma pandemia provoca um isolamento forçado. Você já se imaginou no lugar de nós que estamos tranca

Melhorando a Qualidade de Vida

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Nos primeiros anos do meu tratamento buscávamos controlar os surtos e garantir um convívio social melhor. Foram anos indo a médicos e mais médicos buscando o melhor tratamento, com as medicações mais específicas para me tratar e viver bem. Não pensava em como poderia estar hoje com uma medicação apenas e com mais qualidade de vida. Depois de ter participado dos Seminários do programa Entrelaços do IPUB em 2017, uma nova jornada se abriu nas nossas cabeças, um novo mundo estava abrindo as portas e eu entrando nele com toda energia que poderia ter. Aprendi com os profissionais do Entrelaços que não adianta medicação se  existe um aumento da emoção expressada, o tão comum ambiente de estresse continua a existir de forma tão violenta. Uma casa onde gritos, falta de diálogo, falta de amor entre os membros e sobretudo desconfiança abrem as oportunidades para as suspeitas e o medo do portador de esquizofrenia. Tudo isso torna motivo de sentir-se perseguido, ameaçado, que vai perder algo impo

Quarentena: terror do isolamento

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Como vocês sabem sou portadora de esquizofrenia paranoide e o convívio social pra mim não é necessário e nem muito divertido.  Tenho um marido e um filho de dois anos e nesse tempo só tenho a dizer que se eu não morasse em um apartamento de cinquenta metros quadrados tudo seria melhor e mais fácil, se existisse um quintal seria ainda melhor. O quadro clássico de um portador de esquizofrenia é não gostar de gente, mas tem hora que precisamos ver vida, uma casa com quintal pra viver a quarentena, pena que essa não é minha realidade e sinceramente não aguento mais ficar presa nessa caixa que se tornou minha casa. Realizar as tarefas já é algo bastante desgastantes em dias comuns, em quarentena pior e mais complicado ainda de conseguir realizar tudo e ter prazer em fazer é impossível. Todos os dias são iguais e bem chatos, nada muda e o desespero só aumenta a cada segundo. Tento ao máximo não falar nada e fazer com que tudo dê certo, comunicando o mínimo possível até com os que e

Psicofobia na minha família

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Fico abismada de em pleno século XXI onde a informação chega as pessoas em um piscar de olhos de ver que ainda existe gente que desconhece a saúde mental e rótula as pessoas de forma tão preconceituosa e infantil. Sou portadora de um transtorno mental e nem por isso sou inferior aos outros seres humanos, busco a cada dia viver melhor e sem pisar ou prejudicar ninguém, pois caráter não é alterado por um transtorno. Tenho limitações sim, não consigo viver em um alto grau de estresse e nem trabalhar 8 horas diárias. Sou mãe e amo ser mãe, tenho a maior certeza do mundo: sou uma excelente mãe e sim  escolhi adotar um filho e ele não é diferente de nenhuma outra criança por ser adotado, muito pelo contrário, ele é uma criança que transborda amor, alegria e simpatia. Sim posso ter filho biológico mas só pra deixar claro que amor vem do coração, do encontro de almas e da necessidade de amar com sinceridade, ouvir por aí que ter um filho adotado é um problema me soa como nos primó

Sobrevivi e sobreviverei

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Vendo recentemente o insta do ator Bruno Gagliasso, ao qual admiro muito e que no ano 2009 me identifiquei muito com o seu personagem, que estava sofrendo com a psicose e com a dificuldade da família aceitar o diagnóstico da esquizofrenia, vi uma foto dele como o personagem e me fez refletir em toda a minha caminhada até os dias atuais.  O olhar de desespero, de se sentir vigiado, olhar acuado me fez ver o quanto eu junto com os meus consegui seguir em frente.  Em 2009 não conseguia me ver sem ser ao lado dos meus avós e meu desespero era pensar que eles poderiam morrer e eu ficaria só. Em Agosto de 2010 me vejo tendo que atender pacientes no estagio supervisionado e tendo que socializar, mesmo no auge de um surto psicótico. Neste mesmo ano em novembro tive que apresentar meu TCC e que fique claro ele só saiu pela ajuda, dedicação e profissionalismo da minha fonoaudióloga Thias e junto com o TCC meu avô encontrava-se lutando pela vida no CTI por um embolia pulmon

Retrospectiva 2019

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O ano de 2019 começou maravilhoso e perfeito, com meu filho Gabriel nos braços e vendo ele a cada dia se desenvolvendo rápido  e um mundo novo cheio de novidades surgindo em nossas vidas, na minha do Rafa e do Gabriel. A emoção de ser chamada de mãe foi algo revigorante e que me fez rever todos os meus princípios e valores. Chegou fim de abril e o Gabriel iniciou uma etapa maravilhosa em sua vida, iniciou sua vida escolar e como ele aprendeu, desenvolveu e se tornou um homenzinho ao longo do ano letivo. Chegou maio, veio o dia das mães; fiquei mega emocionada em ver meu filho dançando e cantando pra mim; só pra lembrar que essas datas sempre foram legais só que pra mim elas não tinham muito sentido até o Gabriel chegar. Veio agosto e uma semana antes do dia dos pais descubro que estava grávida que meu marido ia comemorar o dia dos pais duas vezes e que estávamos totalmente realizados como marido e mulher e principalmente como família com dois filhos, sendo que um n

Esquizofrenia, Gestação e Aborto

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Já vinha há alguns dias me sentindo mal e acordando enjoada. Até que faltando uma semana para o dia dos pais, resolvi junto com meu marido comprar um teste de gravidez. Eu acreditava que meu fígado não estava bom e por isso tanto enjoo pela manhã.    Foi aí que a maior das surpresas aconteceu: eu estava grávida! Fiquei em pânico, porém muito feliz, pois nunca imaginei que conseguiria engravidar. De imediato entramos em contato com o meu ginecologista, minha psiquiatra e minha endocrinologista. Logo de imediato algumas atitudes foram tomadas:  consultas marcadas, exames feitos e sim o bebê estava bem até aquele momento. Foram retiradas várias das minhas medicações para ansiedade, instabilidade de humor e assim alguns desequilíbrios da esquizofrenia vieram à tona. Eu e Rafa tivemos várias conversas para aparar as arestas e colocar tudo em pratos limpos. Fomos nos adaptando, chegou o terceiro mês e tudo estava em prefeita ordem. Até que no dia 28/08 meu pequeno Vítor se senti